sexta-feira, 21 de julho de 2017

A Casa Nômade pelo Mundo: 59 países a bordo de um motorhome

Glória e Renato no Chile 
   A repórter Glória Tupinambás, atual colunista da CBN BH e o fotógrafo Renato Weil decidiram pedir demissão de seus empregos depois de anos trabalhando em grandes jornais e revistas do Brasil e de muitos mochilões pelo mundo e desbravar as maravilhas dos quatro cantos do mundo junto com "A Casa Nômade": Uma casa sobre rodas que há dois anos é o único lar do casal.

      Os mineiros que já possuem os passaportes carimbados em 59 países dos cinco continentes como turistas profissionais lançam o segundo livro de viagens: A Casa Nômade pelo Mundo - Uma Viagem pelos Cinco Continentes.

    Kinesianos, incrível isso, não é? Mas sabem o que é mais legal nesse história? Os dois que já estão na estrada para novas aventuras toparam conceder uma entrevista super interessante aqui para o Kinesis, na qual eles falaram sobre as experiências, o primeiro livro, a nova viagem, os desafios, cultura, meio ambiente, dicas de viagens e vários outros pontos super interessantes! Confiram:


K: Quando vocês decidiram começar o projeto A Casa Nômade e percorrer os quatro cantos do planeta como turistas profissionais, quais eram os objetivos iniciais? Apenas para continuarem se aventurando e tendo estas experiências incríveis ou já tinham a intenção de relatar o que iriam vivenciar em livros e demais meios?       

ACN: Nosso objetivo ao viajar sempre foi levar a alma para passear, vagar em busca do novo e de sensações que só uma viagem é capaz de despertar. No início não tínhamos pretensão de sermos turistas profissionais, nem escrever livros, nem alimentar sites com dicas de viagem... Nada disso! A intenção inicial era apenas viajar e conhecer novas culturas.
Ao longo de doze anos juntos, nós viajamos por 59 países dos cinco continentes como mochileiros. Intercalávamos as viagens com o nosso trabalho como repórteres (primeiro do Jornal Estado de Minas e, depois, da Revista Veja) e sempre aproveitamos as férias e feriados prolongados para cair na estrada.
Mas, em 2012, decidimos tirar um ano sabático para dar a volta ao mundo. E quando estávamos viajando pela Austrália, alugamos um motorhome para percorrer a Costa do Pacífico. Foi aí que nasceu a ideia de trocarmos nossa rotina como repórteres pela vida nômade. Percebemos que as férias estavam pequenas para acomodar a nossa paixão por viajar e, ao voltar ao Brasil, decidimos montar nosso próprio motorhome A Casa Nômade e viajar pelas Américas como turistas profissionais.
Há dois anos e meio, fizemos das viagens a nossa profissão e alimentamos sites com dicas de viagem e turismo e produzimos livros de viagens para compartilhar nossas experiências.

K: No novo livro, “A Casa Nômade pelo Mundo – Uma viagem pelos Cinco Continentes”, vocês contam suas experiências em locais bem distintos do planeta aos leitores através das fotografias e relatos. São lugares com vários focos como natureza, sociedade e cultura. Qual desses aspectos chama mais a atenção de vocês na hora de escolher os destinos de cada viagem?

ACN: O planejamento é fundamental para o sucesso de qualquer viagem. Portanto, estudamos bem todos os potenciais e desafios de cada região antes de iniciarmos o trajeto e sempre pesquisamos todas as possibilidades, como atrativos naturais, aspectos culturais e curiosidades do dia a dia das pessoas do lugar. É difícil dizer qual aspecto chama mais a atenção, pois cada um tem seu valor.
O mais legal é estar abertos para viver experiências e se deslumbrar diante delas. Como por exemplo, assistir ao desprendimento de um iceberg nos campos de gelo da Patagônia (espetáculo da natureza), participar de cultos e ritos religiosos dentro de uma mesquita muçulmana na Turquia ou na Tunísia e ser espectadores de eventos culturais como uma tourada em Madrid, um casamento hinduísta na Índia ou um almoço em família no Nepal.

A Casa Nômade na estrada
K: Vocês já estão na estrada para a próxima viagem. Qual a rota programada dessa vez? Já há alguma ideia de futuro projeto para essas aventuras?  Vocês consideram a possibilidade de expandir o trabalho que estão para além dos livros?     



ACN: Nesse exato minuto (20/07/2017), estamos na cidade do Chuí (RS), nos preparando para cruzar a fronteira entre Brasil e Uruguai e iniciar uma nova expedição pelas Américas. Nossa meta é viajar com A Casa Nômade até chegar ao Alaska, em 2020. Até lá, vamos cruzar América do Sul, Central e do Norte. No primeiro semestre deste ano, percorremos toda a Patagônia Chilena e Argentina. Nos próximos seis meses, viajaremos por Montevideu, Buenos Aires, Deserto de Atacama (Chile), Salar de Uyuni (Bolívia), Machu Pichu (Peru), Galápagos (Equador) e Colômbia.
Em 2018, devemos cruzar para a América Central e vamos subindo bem lentamente até alcançar o Alaska.



K: Quais são os desafios culturais, financeiros, de infraestrutura e devido ao protecionismo no turismo enfrentados por vocês em território nacional e internacional como turistas profissionais?                       

ACN: O grande desafio é se desapegar das suas raízes e estar aberto a viver novas experiências em qualquer lugar do mundo.
No quesito cultural, temos que nos acostumar a novos hábitos e costumes, novos temperos e um novo jeito de viver. Mas esse desafio faz de nós pessoas melhores e mais abertas sempre.
E com o motorhome, temos o conforto de, todos os dias, ao fim de cada passeio, retornamos para a nossa casa, com nossos objetos pessoais, cama, banheiro, comidas... Tudo isso ajuda a amenizar a saudade e facilita nossa adaptação.
Com relação ao dinheiro, temos um planejamento minucioso das nossas receitas e despesas para evitar apertos. Temos um apartamento e um sítio alugado em Minas Gerais e esse dinheiro ajuda a complementar a nossa renda para vivermos na estrada. Além disso, nosso projeto com A Casa Nômade é patrocinado pela Mercedes-Benz, Ale Combustíveis, Macboot, Osprey, Saint-Tropez Eyewear, Fiero, Maxiclima, Alliance Truck Parts, Sicoob Centro-Oeste, Água Viva, Yeva Cosméticos e Marcel Philippe Jeans.

K: Sabemos que algumas ações humanas estão causando grandes impactos no nosso planeta, prejudicando diretamente e indiretamente os monumentos históricos e áreas de beleza natural.   Durante as viagens vocês já observaram algumas transformações nesse sentido? Reparam se medidas estão sendo tomadas para reverter ou amenizar estas situações?     

ACN: Para nós, o impacto mais expressivo da ação do homem sobre a natureza está na Patagônia, onde o aquecimento global provoca a redução da área dos campos de gelo e provoca catástrofes ambientais.
Na Amazônia também nos assustamos com o desmatamento que produz verdadeiras clareiras na floresta. Em Minas Gerais, é triste e assustadora a ação criminosa das mineradoras que destrói o meio ambiente e cidades inteiras na exploração de matérias-primas.
Na China, o maior assustador é o impacto da construção de hidrelétricas sobre a natureza. E na Indonésia, nos assustamos com o grande volume de lixo e rejeitos lançados ao mar. Esse lixo chega a se acumular em ilhas que antes tinham praias paradisíacas e hoje têm amontoados de entulhos e sujeira em suas areias.
E o mais triste é que não constatamos nenhuma medida real para solucionar esses problemas ou sequer amenizar os seus impactos.

K: Depois de já terem percorrido os cinco continentes e ainda continuarem viajando, o que mais chama a atenção de vocês quanto a cultura dos mais variados povos? O que é mais nítido para o casal de semelhante e diferente entre as sociedades?

ACN: Nosso primeiro livro de viagens se chama O Mundo em Minas e faz um paralelo entre a cultura dos 59 países que visitamos com a cultura de Minas Gerais. O mais legal é que viajamos pelos cinco continentes sem nenhuma pretensão de escrever um livro e sem aguçar o olhar para quaisquer semelhanças entre os lugares que visitávamos e a nossa terra, Minas Gerais. Mas, em uma dessas idas e vindas ao Brasil, o amigo e produtor cultural Dalton Miranda apontou para uma similaridade entre o Uluru (Ayers Rock), uma imensa rocha presente no outback Australiano, e um paredão de pedras na Serra da Canastra. A partir daí, ficamos fascinados com a possibilidade de buscar o elo que liga Minas à cultura de outros países. 
Ao perceber que imagens e flagrantes captados nos lugares mais remotos do mundo remetiam ao que há de mais arraigado na cultura de Minas Gerais, a necessidade de buscar um paralelo entre o local e o universal se tornou uma verdadeira obsessão. Com um mapa de Minas nas mãos, nós dividimos o estado em dez regiões e visitamos mais de 500 cidades. E aí, fizemos uma seleção das fotos a partir dos temas que apresentavam os paralelos mais curiosos, como folclores, crenças, ofícios, etc.

K: Mês de Julho é um período de férias para várias pessoas, inclusive os leitores do Kinesis. Como turistas profissionais, quais destinos nacionais e internacionais que marcaram muito o casal vocês poderiam sugerir para os kinesianos nesta época?

ACN: No Brasil, a melhor pedida para as férias de julho é a Serra Gaúcha, onde se consegue ver neve e lindas paisagens, como o Parque Nacional Aparados da Serra. Para fugir do frio, uma boa opção são os Lençóis Maranhenses e o trecho do litoral cearense conhecido como Rota das Emoções (Jericoacoara).
Na América do Sul, recomendamos Mendoza, capital dos vinhos na Argentina, que nesta época do ano convida os turistas a um passeio por vinícolas com a deslumbrante paisagem dos Andes ao fundo.
Na Europa, é bom aproveitar o verão para explorar regiões turísticas (Paris, Veneza, Londres e Madri) e também áreas menos lotadas, como o Leste Europeu, os Países Nórdicos, etc.
Os mais aventureiros podem curtir o Trem Transiberiano, que sai de Moscou em direção a Pequim em sete dias de viagem por lindas paisagens da Sibéria, Mongólia e arredores das Muralhas da China.
Na Oceania, as praias da Austrália e Nova Zelândia são ótimas opções para explorar de motorhome ou como mochileiro.



      Vejam agora um vídeo oficial sobre o que as pessoas vão encontrar no segundo livro:




    Para colocar esse sonho no papel, A Casa Nômade está uma campanha de financiamento coletivo na plataforma Catarse (www.catarse.me/acasanomade). 
   O objetivo dessa “vaquinha digital” é atingir a meta de R$ 35.000,00 para a impressão de 1.000 exemplares do livro.  

   Sigam A Casa Nômade nas redes sociais para acompanhar as próximas aventuras.



   Bom, kinesianos, eu espero que vocês tenham gostado. Eu particularmente adorei, achei incrível a história dos dois e a entrevista. Por hoje é só. Beijos e até breve!


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