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quinta-feira, 27 de abril de 2017

"Nise - O Coração da Loucura": Retrato da mulher que revolucionou o tratamento psiquiátrico no Brasil

  Kinesianos, hoje eu quero falar de um filme que eu assisti esses dias e gostei muito. Ele desmente totalmente aquela teoria boba de que "os filmes brasileiros não prestam".
  Estou falando do filme "Nise - O Coração da Loucura", lançado no ano de 2015, que já recebeu diversos prêmios nacionais e internacionais, como "Melhor Filme Juri Popular" no Festival do Rio (2015) e "Melhor Filme e Melhor Atriz" no Festival de Tóquio (2015).
   O filme conta a história da Dr. Nise da Silveira, que pouco depois de passar um ano e meio no presídio por posse de livros marxistas, retorna para o hospital psiquiátrico no Engenho de Dentro, Rio de Janeiro. 
   O lugar é o Centro Psiquiátrico Nacional Pedro II  e estava começando a aplicar técnicas que hoje são condenadas: o eletrochoque e a lobotomia. Assustada, Nise se opõe à essas práticas, e lhe entregam  o setor de terapia ocupacional,  relegado a um porão do prédio, para isolá-la num departamento todo seu e não incomodar a alta cúpula. 
     O que a médica fez a partir de então é revolucionar o tratamento psiquiátrico de seus clientes (forma como ela prefere chamar seus pacientes), buscando um trabalho mais humanista, mediado pela arte, criando um ateliê, no qual os clientes se expressavam e ao longo do filme fica nítido as melhorias no comportamento de cada um e na expressão individual de cada um.

Filme Nise - O Coração da Loucura: Exposição de arte dos clientes
Filme Nise - O Coração da Loucura

  Vejam agora o trailer desse filme íncrível:





Afinal, quem foi Nise da Silveira:

Doutora Nise da Silveira, que revolucionou o tratamento psiquiátrico no Brasil
Doutora Nise da Silveira
  Nise da Silveira, psiquiatra alagoana (1905-1999), enxergou a riqueza de seres humanos que estavam no meio do caminho entre o existir e a dignidade, entre a loucura e a exclusão total.
Ela se se rebelou contra a psiquiatria que aplicava violentos choques para "ajustar" pessoas e propôs um tratamento humanizado, que usava a arte para reabilitar os pacientes.
  • Uma mulher pioneira: Em 1926, ao se formar na Faculdade de Medicina da Bahia, Nise era a única mulher em uma turma de 157 alunos.
  •  Usou a arte para tratar problemas graves de saúde mental:  Nise percebeu que as artes plásticas eram o canal de comunicação com os pacientes esquizofrênicos graves, que até então não se comunicavam verbalmente. As obras produzidas por eles davam “voz” aos conflitos internos que viviam. 
  • Expôs as artes feitas pelos pacientes: Além do efeito terapêutico, as artes plásticas possibilitaram que os pacientes (ou clientes, como Nise gostava de chamá-los) se tornassem verdadeiros artistas. Esquizofrênicos marginalizados e esquecidos puderam ser autores de obras hoje expostas no Museu de Imagens do Inconsciente, no Rio de Janeiro (RJ).
  • Introduziu gatos e cachorros na rotina dos psicóticos: Nise encorajou os pacientes psicóticos a conviverem com gatos e cachorros. O resultado foi uma admirável promoção de afetividade com os bichinhos. Nesse caso, os animais seriam usados como coterapeutas.
  • Revelou as emoções dos esquizofrênicos: Nise constatou que o mundo interno do esquizofrênico, considerado inatingível até então, poderia ser acessado, revelando as emoções desses pacientes por meio das artes plásticas.

Um pouco mais sobre o filme:

 A cena inicial do filme é da psiquiatra chegando no hospital. Ela bate uma vez no portão, ninguém ouve, ninguém abre. Bate novamente, e nada. Bate, bate até que começa a esmurrar o portão para ser ouvida, e, finalmente, entrar. Essa cena sintetiza diversas simbologias: a primeira é de que ela não será facilmente aceita ali dentro; outra, que não será fácil entrar dentro da mente de seus pacientes, ou, como prefere chamá-los, clientes.

Nise da Silveira discutindo com Lima devido a seu comportamento brutal no tratamento dos clientes
Nise discutindo com Lima 
O primeiro obstáculo de Nise é o enfermeiro Lima, que trabalha na área de terapia ocupacional. Acostumado com tratar os clientes de uma forma brutal, ele foi uma grande barreira no início do trabalho da médica. O interessante é perceber como o comportamento de Lima vai melhorando com o tempo. Além disso, fica nítido como é importante um profissional que gosta do que faz.

 O cliente que mais chama atenção é o considerado violento Lúcio. Quando Nise começa a tratá-lo como um ser humano, que tem seus sentimentos e precisa de dignidade e introduz o tratamento com artes e animais como coterapeutas, Lúcio melhora muito o seu comportamento. 


  Bom, kinesianos, esse é o post inicial sobre esse filme. Ainda quero tratar de dois temas abordados no longa que me chamaram muito a atenção: animais como coterapeutas e uso da arte como forma de terapia. 
  Para quem se interessar em assistir "Nise - O Coração da Loucura", ele está disponível na Netflix. Comentem aqui embaixo se vocês já conheciam o filme e o que acharam da publicação de hoje. 
   Beijos e até breve! 💜 



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